Que bom que tocou no assunto, é tão interessante. 
Pra mim o resumo da história é assim: o jovem brasileiro quando tem 17 ou 18 anos e está para escolher o curso de faculdade, prefere áreas mais humanas, digamos mais “light”, é uma minoria aqueles que saem do ensino médio e vão cursar uma faculdade de informática - a procura por cursos de TI caiu 30% nos últimos cinco anos (isso em 2008), portanto são poucos alunos que ingressam em uma faculdade, em comparação às outras áreas e cursos. Nas áreas de tecnologia foram 44,9 mil alunos em 2006[1]. OK, começamos mal.
Depois desses poucos que passam e fazem o primeiro ano da faculdade, vêem que aquilo não é bem o que pensavam ou o que não gostaram mesmo (afinal, faculdade de computação não é montar site ou mexer no facebook, twitter etc.), então dos poucos que entraram nos cursos de TI, menos gente ainda continua para os próximos anos, para se ter uma ideia: dos 22 mil jovens que ingressaram na rede federal do ensino superior nos cursos de tecnologia, só 1,7 mil concluíram o curso[2] e ao todo, com as outras faculdades, em 2006, o número foi de 16,9 mil novos formados[1].
Depois do profissional formado está na hora de procurar um emprego (e deixar o estágio) e como todos pensam, já que está faltando gente, ele vai encontrar emprego bom fácil, correto? Errado. Surge outra grande dificuldade: as faculdades não formam alunos preparados para o mercado de trabalho (deveriam?) o aluno que acabou de sair de uma faculdade é um generalista, mas o que o mercado precisa são de especialistas. E o pior: cada vez mais especializados. Essa habilidade técnica não é uma coisa que se aprenda na faculdade, dessa forma as faculdades só poderiam formar um tipo de especialista, digamos em banco de dados. De fato, 57% das empresas colocam a habilidade técnica do candidato como o requisito mais importante[3], isso é claro porque chegamos a um nível de complexidade de sistemas tão grande que não é qualquer um que “sai fazendo”, é preciso conhecer muito bem aquelas tecnologias para fazer a tarefa mais simples que se possa imaginar, além da responsabilidade. Também existem muitas empresas que por já terem feito más contratações ficam cada vez mais exigentes na hora da contratação, outro empecilho para o pobre recém-formado. Mas convenhamos que está cada vez mais difícil ver alguém que estude por conta própria, durante a faculdade, assuntos novos e complexos para estar preparado quando sair.
Não bastasse esse imenso conhecimento exigido, é preciso se atualizar, pois, em um curto período surgem tecnologias e ferramentas novas (cada vez mais complexas). Novamente outra coisa que as faculdades não fazem, afinal ensinam ciência - inalterável. Daí surgem as tais “pós” para tentar tapar o buraco, que, na minha opinião deixam muito a desejar. Além de tudo, muitas pessoas querem fazer pós para virar gerente e deixar a área técnica, tão carente.
Quanto às empresas brasileiras, querem cada vez menos treinar o pessoal recém-contratado, afinal isso tem um alto custo e leva um bom tempo, coisa que elas não tem sobrando. Além de ter de realocar seus funcionários experientes, que por sua vez, já estão atolados de serviço. Também exigem cada vez mais dos novos profissionais para que eles cheguem “botando a mão na massa”: é certificação, curso de inglês, especialização, conhecimento profundo imprescindível daquilo, etc. Ou seja: querem um profissional qualificado, com experiência e que conheça várias áreas. Mas quem está formando esses profissionais? E o mercado crescendo…
Encontraremos uma saída?
Abraços!
[1] http://blog.sucessosi.com.br/2008/07/12/esta-faltando-profissional-qualificado-1/
[2] http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=66652&utm_source=itweb&utm_medium=portal&utm_content=destaquesite
[3] http://imasters.com.br/artigo/15199/carreira/por-que-sobram-vagas-e-faltam-candidatos-qualificados-em-ti