worlock257:
Bom dia galera.
Estou chateado pelo q ouvi ontem em sala de aula do professor e de alunos. Naquela aula tipica que falam um pouco dos cargos em uma empresa de T.I, se referiram ao programador como um peão, simplesmente com um desprezo terrível. Disseram que praticamente não tem a capacidade de pensar no negócio, que recebe apenas todo o trabalho mastigado e apenas digita. Cara isso é revoltante! Já não basta a quantidade de assuntos que um desenvolvedor tem que aprender, o estudo e o aprendizado não para. Será que não entendem que a quantidade de assuntos que devemos aprender já é tão imenso que entender todo o negócio é tanta informação que não há como absorver tudo? Mas ser tratado como peão é uma tremenda falta de respeito! Grandes idéias, ótimas startups nascem da criatividade e conhecimento dos ‘peões’, então é um absurdo nós recebemos esse tratamento e essa visão de uma mera peça que pode ser substituída por qualquer um!
Pode ser que eu esteja viajando, afinal de contas eu sou iniciante e trabalho como desenvolvedor há um ano. mas fiquei indignado com a visão tão rancorosa do professor e alunos!
O que vc’s acham? Somos apenas um profissional que anda com uma viseira na cara? Ou nossa criatividade em criar algo que nunca é igual a outro trabalho nos diferencia de outros profissionais?
Existe uma diferença entre o que deveria ser e o que é. Essa diferença advém de motivos culturais , educacionais, econômicos e profissionais.
A definição abstrata de programador é uma pessoa que é eximia em escrever código. Essa é a sua especialidade. Esta pessoa escreve código como quem escreve um livro. Quanquer um sabe escrever, mas escrever um livro é preciso talento. É preciso cuidado com detalhes de forma e estilo. É preciso escolher as palavras com cuidado porque embora sinónimos, nenhuma palavra é igual à outra. Ha nuances. Um programador sabe todas as nuances da linaugem que usa. Sabe toda a API de cor , sabe manipulá-la à sua vontade como o escrito manipula as palavras. Trata Threads por tu e consegue ver nos arquivos estáticos de código o funcionamento dinâmico do sistema. Sabe boas práticas de escrita. Escolher bons nomes. Organiza o código de forma tipograficamente correta. Um código escrito bem vale mais que mil palavras.
Mas para alcançar este nivel e poder se designar “programador” a pessoa que que evoluir muito. Então, como existem pessoas que sabem escrever e existem autores, existem programadores que escrevem e programadores que sabem escrever. E entenda que o talento do programador não é saber porque a classe X e Y existem ,ou qual é o seu papel para o usuário. Descobrir essas coisas não é o seu papel. Seu papel é simplesmente traduzir esses conceitos em código da forma mais fidedigna possível. Então, neste sentido ele é um escriba sem pretensão de conhecer do negócio ou tomar decisões de arquitetura, escolher frameworks , etc… seu único propósito é escrever bom código.
Muitas poucas pessoas são “autores de código” no nível que deveriam. Isso é uma pena. E isso advém desse preconceito contra quem é “só programador”. Não ha nada de errado em ser “só programador”, desde que seja um programador de verdade.
Então o que temos são muitas pessoas que sabem escrever e poucos autores. E ai se banaliza dizendo que se qualquer um pode escrever, então é uma função menor. Nos ultimos anos temos vindo a assistir a movimentos contra isso e em favor de escrever bom código. Mas ainda existem mutias pessoas em pontos do fluxo ( como os professores) que não estão nessa onda e ainda pensam como pessoas nos anos 50 ( talvez porque nasceram nos anos 50)
Por outro lado, um escrito de código meia boca, também não pode achar que é o salvador da pátria só que porque ele escreve um código mixuruca e faz o sistema funcionar. Ele é responsável pela maior parte do trabalho “físico”, mas ignoar sua responsabilidade na equipe é um erro fatal. O peão só é peão porque se contenta com isso. Mas peões ha muitos e um jogador experiente não tem medo se realizar o gambito do peão.
Profissionalmente as pessoas não enxergam que é necessário bons programadores autores da mesma forma que não enxergam que são necessários bons pedreiros. Acham que é só por um bom capataz (aka lider de equipe) e pronto. Isto é mau gerenciamento. É gerenciamento meia boca, porque também os gerentes que temos são como os programadores : meia boca. E assim vai até os diretores. É uma questão de cultura. Vc vai ver em outros lugares do mundo e as pessoas pensam diferente. Não se acomodam com a mediocridade. Aqui, nem sabem que são mediocres e ainda se acham os super-master.
Tudo isso começa na faculdade, nos professores que são muito acadêmicos sem experiencia real em sistemas reais. até os gerentes que - ironicamente - não têm fundamento académico para as decisões que tomam. No mundo real do dia a dia, parece que nunca ninguém leu um livro sobre gerencia de equipes de software (que é diferente de outros tipos de equipes), ninguem sabe o que é um cone de incerteza ou que quanto mais pessoas num projeto pior. Coisas simples. Claras. Que todos sabem, mas ninguém assume.
É como se a empresa mandasse escrever sua autobiografia e escolhe o primo do sobrinho do padrão porque ele tem jeito com o word. Escrever uma biografia é muito mais complexo que isso. Então, pessoas que pensam pequeno (porque não foram educadas de outra forma e sequer conhecem o mundo ) têm a ajuda de pessoas pequenas. E o engraçado é que eles são felizes assim. Até que o livro sai e ninguem gosta e ninguem compra e a culpa é do cara que escreveu e não do cara que o contratou.
Então, se está indignado em que se associe o programador ao peão, o jeito é ser um excelente programador, um autor de código, treinar seus pares para serem o mesmo, e talvez um dia, haja respeito. Porque antes de pedirmos respeito da sociedade, temos que ganhar respeito dentro da nossa própria profissão. E hoje tem muito gentio sem os valores necessários para trabalhar com software.