Esse post não é uma dúvida, mas sim um desabafo…
E é por isso que estou postando-o em “Assuntos gerais (Off-topic)”.
Os nomes serão omitidos para evitar problemas…
Ano passado troquei de empresa. Saí da empresa X e passei para a empresa Y.
A proposta não era novidade: Migrar o sistema de uma linguagem de Mainframe com mais de 30 anos para uma outra linguagem XPTO para rodar em ambiente Windows.
Teoricamente, nós, os “novos na empresa”, seriamos os consultores, os mensageiros da nova tecnoligia, que trariam consigo as idéias e boas práticas do mundo “lá fora”.
Os “nativos”, tinham feito apenas um curso da linguagem XPTO.
Quando chegamos, logo na primeira reunião, fizemos sujestões.
Bad idea…
Levamos com os dois pés no peito!
Nisso já começamos a ver como era o esquema.
Um dos “nativos” fazia o papel de lider. Esse tinha feito apenas um curso básico da linguagem XPTO e achava que sabia de tudo, e que as nossas idéias, de nós “novatos na empresa”, eram idéias que não funcionarial dentro da empresa…
Os demais nativos, eram (ou se faziam de) cegos. Seguiam o “lider” sem questionar, de uma forma quase que religiosamente radical.
Resumindo, o que ele queria era que nós fossemos meros programadores e que seguissemos o que ele dizia (mesmo ele tendo só 1 ano com a linguagem e nós já tendo mais de 6…).
A primeira barbaridade foi:
Não usar orientação a objetos.
Deveriamos criar classes com todos os métodos estáticos.
Quem fosse pego instanciando um objeto, morreria queimado na fogueira.
As classes, seriam meros repositórios de funções.
Isso porque a programação deveria ser o mais próximo possível da (eca) programação procedural.
Coisas como XML, serialização, webservices, tudo abolido!
Trabalhar apenas com arquivo Texto. Nossa, como eles gostam de arquivo Texto!
É arquivo texto para fazer qualquer tipo de coisa…
O nosso código era revisado (cencurado), não deixando passar nada.
Era como uma caça às bruxas.
Stored procedures, triggers… Nem pensar.
Qualquer coisa, que fosse algo que eles não conheciam, deveria ser evitado.
Até o uso de Tipos Enumerados era abolida.
Os parametros de função deveriam continuar inteiros ou string, do tipo 0=consultar fornecedor, e 1=consultar cliente…
Ou as vezes “C” = “Cliente”, e assim por diante…
Tudo para que as coisas continuassem como na linguagem antiga…
Logo vi que isso era uma forma dos dinossauros continuarem no poder.
Sentia-me como no filme do Indiana Jones, em que ele e o seu pai estão no meio de uma queima de livros, pelos nazistas, em que o pai do Indy fala:
“Junior… Somos peregrinos em uma terra pagã!”.
Bem. Tem muito mais barbaridades, mas paro por aqui.
Se alguém já passou por algo parecido, gostaria de ler o comentário.
Abraços!
Mauro.


