Todo mundo sabe que o sistema de ensino no Brasil é defasado e deficitário, qual a novidade?
Pense bem, se vocês todos aprenderam a escrever e ler com uma tia que, ao menos na minha época, cursava apenas um segundo grau técnico (nem lembro o nome da formação). Começa errado. Eu fui ter filosofia no segundo grau (na minha época era primário, ginásio, primeiro e segundo graus). E para quê? Para perceber que todos deveríamos ter tido filosofia desde sempre, para aprender a questionar e pensar. Mas quem faria esse papel? A tia que, não por sua culpa, estava lá me ensinando a ler e escrever?
Sempre tivemos dois pesos e duas medidas, o ensino público e o privado. Adivinha qual o melhor?
Por quê? Não vou entrar nos méritos, mas, quanto menos o povo sabe, mais incompetentes são eleitos.
Por outro lado, algumas opiniões aqui me fazem entender por que o mercado tem pessoas tão ruins e tantas vagas.
A linguagem, definitivamente, não é importante. Sintaxes e “manhas” você aprende no dia a dia. Além do que, o mercado exige pessoas polivalentes. A função da faculdade/universidade é despertar o interesse pela pesquisa, pela leitura. Você precisa ir atrás da informação. Pense no mundo real, no trabalho, embora o cara do lado possa responder, nem sempre ele estará ali. Ah, mas estamos na era do google. Nem tudo está lá e nem sempre pode-se acessar o mesmo.
Claro que eu entendo perfeitamente que existem picaretas em todos os lugares, de padres a pastores, de programadores a gerentes de projetos. Mas cabe a cada um saber se desvencilhar dessa visão pequena de que uma faculdade deve ensinar a programar.
“Ah, mas medicina ensina a operar”, “direito ensina a advogar”… Será? Se você quer ser apenas programador (e meia boca, por sinal), vá e faça um curso técnico em uma escola qualquer. Não gaste seu dinheiro com uma formação. (Aliás, eu dou aulas, se alguém estiver interessado…).
O problema do brasileiro é que reclama demais e faz pouco. “Ah, por que o governo não investe na saúde”, “A segurança está um caos”, “o pedágio subiu de novo”.
Eu tive várias experiências ruins na faculdade. A pior delas foi numa disciplina eletiva, que varia de acordo com a época. Na minha, por exemplo, eu tive JME. E, de um total de 40 horas/aula, praticamente as 10 primeiras (ou 1/4) foram perdidas. Motivo? O professor queria que todos entendessemos o funcionamento do bluetooth. Resultado, fizemos uma reclamação à coordenação do curso que imediatamente substituiu o ser.
Claro que nem todas as vezes será possível ser atendido, mas é uma questão de enfrentar a situação.
Não concorda com o ensino desta instituição, reclame, esbraveje, denuncie ao MEC, faça um protesto (real, nao no twitter). Não adiantou? Mude de instituição. Ou aprenda a adaptar-se ao que você escolheu.
Tem uma frase (não lembro o autor), que se encaixa perfeitamente nisso. “O que me assombra não é a estupidez de poucos, mas o silêncio de muitos”. Pensem a respeito. Pensem que daqui a alguns anos vocês podem estar do outro lado. E o que farão?